Chocolate!

Foi-se o tempo em que o chocolate não tinha vez em um cardápio saudável. Sua matéria-prima, o cacau, é rica em substâncias benéficas e hoje até os cardiologistas aprovam seu consumo.

Coma sem culpa, mas saiba que há maneira e hora certas para saboreá-lo:

“Não existe consenso, mas acredita-se que 6 gramas diários já seriam suficientes para melhorar a saúde”, afirma a engenheira de alimentos Cláudia Degáspari, da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Ou seja, basta um quadradinho. Às vezes, os pesquisadores indicam quantidades um pouco maiores, mas nunca mais do que 30 gramas diários, ou um pequeno tablete.

O horário em que se come também faz diferença em alguns casos. Os melhores períodos são a manhã e o final da tarde. “É quando ocorrem os picos de secreção de cortisol, o hormônio do estresse. Para se livrar dele, nada melhor que um pouco de chocolate amargo”, recomenda a nutricionista Fernanda Soares, da Sociedade Brasileira de Alimentação e Nutrição. Quando consumida em jejum, a delícia aplaca a fome e contribui para o emagrecimento. Aqui vale um alerta: não adianta apostar nas versões ao leite ou branca. “Quanto mais amargo o chocolate, maior a concentração de flavonoides, substâncias antioxidantes do cacau responsáveis pela proteção contra doenças”, afirma Eliete da Silva Bispo, engenheira de alimentos da Universidade Federal da Bahia. Seria necessário pelo menos o triplo de tabletes ao leite para ter o mesmo benefício de uma barrinha amarga. O problema é que, assim, também viriam triplicadas as calorias, as gorduras, o açúcar…

1. Combate o mau humor

Para isso, só o cheiro já basta. Pelo menos é o que garantem pesquisadores da Universidade Middlesex, na Inglaterra, que avaliaram a reação das pessoas em ambientes com distintos odores. “Ao sentir o aroma de chocolate, os participantes relataram menor estresse e maior satisfação. Algumas atividades cerebrais relacionadas ao estado de alerta foram reduzidas”, explica Neil Martin, professor de psicologia responsável pela investigação. Além disso, o cacau contém uma substância conhecida como feniletilamina, que, quando ingerida, manda de fato o mau humor embo

ra. “É a mesma envolvida na química da paixão, e a sensação produzida, claro, é ótima”, diz Cláudia Degáspari, da UFPR. O chocolate tem também alto teor de magnésio, mineral que age como regulador do humor, equilibrando os níveis dos neurotransmissores serotonina e dopamina, envolvidos no bem-estar.

2. Diminui a ameaça de pré-eclampsia

Durante a gravidez, 5% das mulheres sofrem com uma espécie de hiperativação do sistema inflamatório, doença conhecida como pré-eclampsia, que também causa elevação da pressão arterial. “Provavelmente isso ocorre por uma intolerância do corpo materno ao feto”, pondera o obstetra Nelson Sass, da Universidade Federal de São Paulo. Já se sabe que algumas substâncias podem reduzir os riscos desses episódios. Um trabalho da Universidade de Iowa, nos Estados Unidos, mostra um consumo menor de chocolate entre as gestantes que desenvolv

eram a doença. “É possível que o chocolate amargo interfira no processo inflamatório”, sugere Nelson Sass. “Porém, estudos mais abrangentes são necessários antes de um consenso.” Enquanto isso, só não vale abusar para não ganhar quilos demais ao longo dos nove meses.

3. Favorece o emagrecimento

Comer um tableteamargo pela manhã, ainda em jejum, aumenta a saciedade e propicia a perda de peso. A descoberta vem de uma turma de cientistas dinamarqueses,

da Universidade Real de Copenhague. No estudo, os participantes que consumiram chocolate amargo antes do café da manhã com o passar das horas sentiram menos fome que o restante da turma, que saboreou um tablete ao leite. “A diferença na inges

tão de calorias ao longo do dia chegou a 15%”, diz a nutricionista Lone Brinkmann, que conduziu o trabalho. Por enquanto, não se sabe o mecanismo exato que promoveria tal sensação. “Talvez o sabor forte da versão amarga regule a fome ou, ainda, a maior quantidade de cacau atue impedindo o rápido esvaziamento do estômago”, especula. Por outro lado, vale reforçar, como se trata de um alimento calórico, não se pode abusar da quantidade.

4. Atenua a cirrose hepática

O chocolate amargo combate o aumento da pressão arterial no abdome, que pode atingir níveis perigosos em pacientes com cirrose. “A inclusão do alimento com 85% de cacau no cardápio diário é capaz de reduzir a hipertensão portal, no abdome, diminuindo o risco de sangramento provocado pelo rompimento de vasos sanguíneos na região”, descreve Mário Guimarães Pessoa, hepatologista e vice- presidente da Sociedade Brasileira de Hepatologia. “O efeito ocorre rapidamente, apenas 30 minutos após a ingestão”, completa. Quem como chocolate branco não tem as mesmas vantagens. Isso porque o benefício, também nesse caso, se deve aos flavonoides — encontrados principalmente no tipo amargo. Essas substâncias químicas ajudam a relaxar e dilatar os vasos sanguíneos, o que facilita a circulação.

5. Reduz a pressão arterial

Após acompanhar mais de 19 mil pessoas entre 35 e 65 anos por uma década, cientistas alemães chegaram a uma conclusão deliciosa: aqueles que comem cerca de 7 gramas de chocolate por dia são menos propensos à hipertensão. A quantidade equivale a um quadradinho de chocolate amargo. “Há evidências de que os flavonoides aumentam a elasticidade dos vasos sanguíneos, por incentivarem a produção do óxido nítrico”, justifica o epidemiologista Brian Buijsse, que assina o trabalho do Instituto Alemão de Nutrição Humana. Esse gás, presente na circulação, relaxa as paredes dos vasos, facilitando o fluxo sanguíneo — por isso, diminui a pressão arterial. Mas há um porém: “É preciso cortar algum alimento calórico para inserir o chocolate na dieta. Ou o aumento de peso anulará os benefícios”, ressalva o pesquisador.

6. Mantém o coração forte

Os problemas cardíacos podem atingir pessoas de qualquer idade e, cada vez mais, aparecem na faixa dos 30 anos. Mas, se consumido moderadamente, o chocolate pode retardar danos no sistema cardiovascular. Mulheres que ingerem o do tipo amargo entre uma vez por mês e duas vezes por semana são menos suscetíveis a disfunções no coração quando comparadas com aquelas que não comem a delícia. A conclusão é de um estudo com 31 mil voluntárias saudáveis realizado pela Universidade Harvard em parceria com uma instituição sueca, o Instituto de Medicina Ambiental. “As substâncias do chocolate, além de promoverem dilatação dos vasos sanguíneos, reduzem a inflamação causada pelos radicais livres, que podem financiar problemas cardíacos”, explica o cardiologista Marcus Bolívar Malachias, presidente do Departamento de Hipertensão da Sociedade Brasileira de Cardiologia.

7. Baixa a resistência à insulina

Sabia que existe uma tribo indígena no Panamá que consome chocolate tanto quanto nós, brasileiros, comemos arroz com feijão? “E a incidência de diabete entre os índios kuna, como são conhecidos, é bem menor do que em outras populações”, aponta Marcus Bolívar. Não é difícil entender por quê. Um trabalho italiano, da Universidade de L’Aquila, demonstra que ingerir 100 gramas de chocolate amargo, todos os dias, reduz a resistência à insulina — e, assim, menos açúcar fica circulando no sangue. “Por isso, o chocolate com alta concentração de cacau poderia ser indicado aos diabéticos. Porém, seria imprescindível verificar a quantidade de açúcar no produto escolhido”, alerta o cardiologista. Senão, mais uma vez, os benefícios se perderiam, já que esse ingrediente é um verdadeiro veneno para os portadores do distúrbio.

8. Previne o derrame

Uma revisão de estudos feita na Universidade McMaster, no Canadá, é incisiva: comer chocolate pelo menos uma vez por semana reduz o risco de derrame e acelera a recuperação de pacientes que tiveram isquemia cerebral. Uma das pesquisas avaliou 44 mil pessoas, e as que consumiram uma porção de chocolate por semana apresentaram uma probabilidade 22% menor de sofrer um AVC. Em outro trabalho, apontou-se que comer 50 gramas por semana diminui em 46% o risco de morrer em caso de acidente vascular. “Tudo indica que, mais uma vez, o benefício se deve aos flavonoides, que são antioxidantes e conseguem dilatar os vasos sanguíneos”, diz a médica Sarah Sahib, que coordenou o trabalho. Segundo ela, é preciso fazer mais pesquisas antes de recomendar o alimento como salvador da massa cinzenta. Mas, enquanto esperamos por isso, podemos saborear uma barrinha amarga. Que tal?

Fonte: Revista Saúde Já

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