Ciúme, zelo doentio

“Vamos deixar para sofrer pelo que é realmente trágico, e não por aquilo que é apenas um incômodo, senão fica impraticável atravessar os dias”

[Coisas da Vida-A importância de perder peso-pág 170]

Martha Medeiros.

”Ela se sentia bem com o ciúme costumeiro daquele rapaz, mas as coisas começaram a mudar, aos poucos. Um ciúme antes bem pronunciado, agora se esvaíra, como uma fumaça que se dissipa.

A doce mocinha ia ficando como que desnorteada, meio sem razão. Em meio a todos esses anos, ela começava a perceber um desinteresse dele, e o que antes quase a incomodava, agora começa a fazer falta. Como ele mudara tanto? Foram os anos? A convivência? Sua beleza teria acabado?

Ela se perguntava dia e noite, e aquele antigo desdenho pelo ciume alheio acabou por dar lugar ao seu próprio ciúme. Sim, agora era ela quem sentia um terrível desejo de afastar a todos de seu amado, ela que desejava trancafiá-lo numa torre bem alta, onde nada nem ninguém pudesse roubá-lo.

Essa posessão tornava-se cada dia mais forte, cuidava-lhe os olhares, tentava adivinhar seus pensamentos, criticava outras moças que ela considerava possíveis concorrentes. O afastou de tudo aquilo que pudesse mostrar a beleza alheia. Porém, isso tudo não lhe trouxe paz. Essa gana incontrolável e dominação sobre seu amado não lhe trouxera nada de bom, só pensamentos e imaginações duvidosas.

Isso não pode aumentar o amor desse rapaz por ela. Até que ela mesma começou a sufocar-se com tudo isso. Viu o quão terrível é aprisionar alguém, e que quanto mais o cuidava, mais desconfiava – mas o que ela menos queria era suspeitar de algo, já que o rapaz era tão transparente quanto um poço de água purificada.

Ela percebeu que o amor pode ser bom, mas também pode mostrar seu lado malévolo. Depende apenas de quem ama e de se sabe como amar. Ela tomou uma decisão, de mudar esse ciúme doentiu, antes que causasse algum estrago maior.

Se você de alguma maneira se identificou com essa história, mude também, porque amor não é domínio, e sim reciprocidade.”

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