Sempre dieta!

A maioria das pessoas que você conhece (se inclua nessa!) já fez ou faz dieta, vive contando calorias e sonha em perder no mínimo 3 quilos, mesmo que esteja com peso saudável. Dieta hoje virou mania, quase obsessão. E quem engorda com isso é o mercado da indústria light e diet. “Só no ano passado movimentou 8 bilhões de dólares, o que corresponde a 5% do total de alimentos comercializados no país”, afirma Carlos Eduardo Gouvêa, presidente da Abiad*. Um em cada três lares brasileiros consome diariamente algum produto com redução calórica. Nessas casas, o mais adotado é o adoçante (100%), seguido pelo refrigerante ou suco (85%), pão de forma (75%) e leite longa vida (27%). Segundo a Abir**, só em 2009 foi ingerido 1,468 milhão de litros de refrigerante sem açúcar, quase 38 copos da bebida por habitante.

A luta contra a balança não afeta apenas as brasileiras obesas (15%) ou as que estão com sobrepeso (27%). Dados divulgados pela Kantar Worldpanel/Abiad mostram que as mulheres com peso saudável (48%) e até mesmo abaixo do peso (10%) também desejam emagrecer. Tudo em busca de um padrão rígido de beleza, associado à cultura de cada local.

No Japão, a mulher atraente deve ser pequenina e delicada; quem tem mais curvas é tachada de gorda.Na França, a beleza rima com magreza – lá é quase impossível encontrar uma peça de roupa moderna com numeração superior a 42. Já na Mauritânia, país da África, quanto mais gorda a mulher, mais sexy é considerada e maiores as chances de arrumar marido (nada de pegar as malas e voar para lá!). Ser magra, com curvas, e ter o bumbum definido é o ideal de beleza das brasileiras. “Como vivemos em um país tropical, o corpo fica exposto durante boa parte do ano e há muita pressão para alcançar esse padrão”, diz o psicoterapeuta Marco Antonio De Tommaso, de São Paulo.

A cobrança é tão implacável que já começa na adolescência. De acordo com levantamento divulgado no ano passado pelo IBGE, 33% das meninas do último ano do ensino fundamental queriam emagrecer e quase 7% delas haviam provocado vômitos ou ingerido remédios de uso controlado para não ganhar peso. Além disso, a brasileira tem baixa autoestima. A conclusão é de uma pesquisa da marca Dove, da Unilever. “Apenas 1% delas se definiu como bela. Isso ajuda a entender por que o Brasil só perde para os Estados Unidos em número de cirurgias plásticas realizadas”, diz Tommaso, lembrando que em 2009 foram feitas 459 mil cirurgias com fins estéticos.

Os spas também faturam com essa característica das brasileiras: arrecadaram 284 milhões de dólares no Brasil em 2008, segundo estimativas do Stanford Research Institute, nos Estados Unidos. E a obsessão pelo corpo magro explica o sucesso da ração humana, mix de cereais integrais, entre eles aveia em flocos, gérmen de trigo, açúcar mascavo, gergelim, fibras de trigo, gelatina, cacau, levedo de cerveja e guaraná em pó, que promete ajudar a emagrecer desde que associado à reeducação alimentar e à prática de exercícios físicos. Desenvolvida por dois brasileiros, a tera­peu­ta natural Lica Takagui e o médico Daniel Boarim, a ração deve ser consumida uma vez ao dia ou substituir uma refeição leve. “As vendas desse suplemento alimentar aumentaram 800% entre dezembro de 2009 e fevereiro de 2010”, conta Donato Ramos, diretor de marketing da rede Mundo Verde.

Para o endocrinologista Felippo Pedrinola, de São Paulo, todos esses segmentos crescem amparados por uma falsa ideia: a de que o corpo magro é um passaporte para a felicidade. “Essa distorção é preocupante, pois a busca desenfreada pela perda de peso pode desencadear distúrbios alimentares e psicológicos”, diz. Para ele, a necessidade constante de perder 3 quilos sinaliza uma insatisfação com a própria imagem. “Se isso não for trabalhado, a pessoa pode achar que não merece ser feliz.”

Fonte: Revista Claudia.

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